Uso de cerca elétrica amplia rentabilidade das fazendas

São Paulo, setembro de 2016 - Nos últimos anos, a Nova Zelândia ganhou destaque no mercado internacional por sua longa e efetiva experiência com o manejo de pastagem por uso de cercas elétricas, tornando-se a “dona do leite” mundial. Agora a intenção é levar este conhecimento e prática para o Brasil, com o intuito de aumentar e melhor desenvolver a produção de alimentos, principalmente os lácteos, diante de uma maior demanda decorrente do crescente aumento na população mundial.

O emprego da cerca elétrica no Brasil, inventada e usada em grande escala pelos neozelandeses, ainda necessita de adequações técnico-científicas para mostrar a sua real efetividade no manejo de pastagem. “Embora o brasileiro saiba produzir pastos muito bem, ainda é preciso investir em conhecimento técnico-científico para aprimorar a forma como estes pastos são colhidos”, observa Ernesto Coser Netto, da Tru-Test, empresa neozelandesa especializada em contenção de animais e gestão pecuária. A Tru-Test exporta alta tecnologia para o Brasil.

De acordo com a experiência da Tru-Test, quanto mais subdividida é uma fazenda, maior será sua capacidade de lotação. Consequentemente, sua rentabilidade. O uso da cerca eletrificada barateia estas subdivisões, auxiliando o produtor a colher bem seu pasto, assim como acontece na lavoura. Ainda de acordo com a empresa, o investimento no uso da cerca elétrica pode ser até cinco vezes menor do que o da cerca convencional.

“Embora o Brasil, um dos cinco maiores produtores agropecuários do mundo, se utilize de dados científicos para produzir as pastagens e criar os animais, não é comum análises mais aprofundadas para orientação e construção de subdivisões para manejar estes pastos”, declara Netto. “Esse tipo de solução pode ajudar o agronegócio do Brasil a dar um salto em termos de produção. O atual cenário brasileiro – restrição para abertura de áreas/controle do desmatamento, aumento no custo da madeira, necessidade de intensificar a produção – pede por inovação e expansão de forma mais econômica”, analisa.

Para a construção de uma boa cerca elétrica é preciso, principalmente, que os equipamentos possuam uma quantidade elevada de joules (em torno de 63J). Isso garante uma maior capacidade de conduzir o choque numa potência adequada e efetiva pelo arame. No Brasil, onde a produção agropecuária é responsável por quase 25% do PIB nacional – segundo a CNA

(Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), há uma grande oportunidade de mercado para entrada de tecnologias que proporcionem isso.

“No contato com alguns produtores brasileiros, identificamos que muitos não conhecem a real potência dos eletrificadores, que muitas vezes são comercializados, curiosamente, pelo alcance (km) e não pela potência real. Este desencontro nas informações sobre instalação, somada a produtos com defasagem tecnológica, promovem o descrédito da técnica, que originalmente foi desenvolvida para reduzir custo e trabalho”, conclui.

Aqueles que já possuem conhecimento sobre o assunto e decidiram investir na tecnologia não têm dúvidas, o uso da cerca elétrica é determinante para um maior aproveitamento da área de pastagem e o crescimento da produção. “Antes de utilizar a cerca elétrica, eu perdia muito espaço por não conseguir manejar bem o pasto. Hoje, com equipamentos adequados, consigo estabelecer faixas dentro de uma única área, evitando que o gado pise e deteriore todo o solo", relata João Luis, proprietário da estância de mesmo nome em Votuporanga.

Com 90 vacas dentro de uma área de 13 hectares, a Estância João Luis consegue aproveitar melhor o capim, economizando e oferecendo melhor alimentação ao gado. A fazenda também passou a utilizar áreas que antes estavam dedicadas à pastagem para fazer feno”, declara o proprietário.

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